Tive oportunidade de escutar um audiobook desse cara e aprendi algumas coisas bem bacanas sobre canto segundo a técnica de Speech Level Singing (SLS).
A idéia básica dessa técnica é que cantar não deve exigir mais esforço físico do que falar. Pra isso eles ensinam alguns princípios e exercícios bem lúdicos.
Aliás, “lúdico” define bem o SLS. Os exemplos e ilustrações que ele oferece ajudam a compensar a impossibilidade de se ver o que acontece com o aparelho fonador enquanto se canta.
Algumas idéias-chave que me inspiraram muito nesse método:
- O gogó tem que ficar parado. Gogó subindo indica garganta fechando, o que pode ser verificado quando se engole saliva;
- Já o movimento de bocejo faz a garganta abrir e o gogó descer, mas em excesso deixa a voz abobalhada. O legal é introduzir esse movimento como contrapeso à tendência que o gogó tem de subir junto com o tom das notas;
- A ressonância natural do aparelho fonador amplifica a voz de uma maneira que não cansa. O desafio é que cada nota e vogal tem seu próprio ponto de ressonância. Por isso, além de achar as notas certas é necessário encontrar a ressonância ideal para cada uma;
- A ressonância soa estridente e desagradável dentro da cabeça, como uma espécie de chiado. Mas soa bem ao microfone;
- Bater os lábios, como se estivesse com frio, ajuda a encontrar os pontos de ressonância e projetar a voz. Com glissandos, esse exercício ajuda a suavizar as diferenças de timbre entre diferentes notas;
- Notas agudas exigem menos ar do que notas graves. Elas devem ser emitidas com as cordas vocais “dobradas” ou “zipadas” e ressoar no topo da cabeça;
- Um exercício pra ajudar a encontrar essa posição é cantar frases em “néi néi néi” como se estivesse imitando um bebê chorando ou uma patricinha no shopping (um primo meu ainda acrescentou “um travesti falando” à lista);
- Para notas médio-agudas, mistura-se a voz de peito à voz de cabeça. Talvez esse seja o maior desafio do método, mas os resultados aparecem rápido: notas entre o F e o B vêm com muito mais facilidade e com um timbre convincentemente natural;
- Treinar saltos grandes, como quintas justas e oitavas, ajudam a soltar a voz e melhorar a afinação;
O autor da técnica, Seth Riggs, diz que já até salvou as vozes de cantores que estavam prestes a se aposentar. A lista de alunos dele é uma coisa de cair o queixo.
As referências em português sobre SLS ainda são poucas, mas tenho visto cada vez mais gente falando a respeito.

