
Música é minha arte preferida.
Ela é capaz de expressar a cultura de um povo, os anseios de uma geração, os valores de um indivíduo.
Ela provoca, encapsulada em partículas de tempo, uma série de sensações que podem unir cabeças, marcar momentos, emocionar.
Claro que quando eu comecei a tocar violão, aos 12 anos de idade, eu não pensava nisso. Eu queria chocar os mais velhos e impressionar o pirralhil que começava a gostar da idéia de paquerar, ir pra festas e outras coisas que só se fazia longe dos professores, pais, e outros adultos opressores.
Primeiras bandas - E foi na escola, matando aula pra tocar violão no campo de futebol, que conheci meus primeiros colegas de banda. O sucesso do Sepultura nos EUA fez um monte de gente acreditar que o negócio era compor em inglês e ir vender o peixe lá fora. Dessa idéia nasceu o Last Rites, onde eu seria o guitarrista. Mas, como ninguém se propunha a cantar, me meti a vocalista e assim fiquei.
Fazendo nossas próprias músicas, tocamos em vários festivais de Brasília e até no interior de SP. Nunca ganhamos um tostão, mas éramos esforçados e ficamos relativamente conhecidos na cena metal da cidade.
Nesse mesmo tempo, as bandas “cover” ganharam espaço na cidade. Aproveitei o embalo e fiz shows homenageando algumas das minhas bandas preferidas: Megadeth, Testament, Alice in Chains, Pearl Jam e até REM. Às vezes cantando, às vezes guitarreando.
Também entrei em um projeto chamado Sétimo Selo, em que eu inventei de tocar bateria. Desse grupo sobraram algumas fitas com belíssimas composições.
Gravando! - No final da adolescência, meus colegas foram procurar emprego, estudar pro vestibular… tentar entrar prá vida adulta. Nossas bandas deram um tempo. Aproveitei pra pesquisar sobre gravação, mixagem, MIDI e outros conceitos. A Internet era uma realidade recente, e eu virei um bocado de noites aprendendo sobre o assunto (de 00h às 06h a conexão era mais barata!).
A UnB, onde eu fui estudar jornalismo, tem uma grade muito flexível. Com muito choro e insistência, convenci o Departamento de Música a me matricular em aulas como “Acústica Musical” e “Teoria e Prática da Gravação”. Isso tudo me deu base pra gravar e mixar uma série de trabalhos em casa.
Embora a gravação tenha se tornado, acima de tudo, um hobby e uma paixão pra mim, eu tive uma experiência muito divertida com o Amálgama, banda de hard rock com quem eu gravei um disco. Eu assino os créditos de produção, gravação, guitarras, segunda voz. Além disso, fiz algumas pré-mixagens do disco.
A descoberta do pop - Em 2002, um amigo me levou pra conhecer uma dessas boates de classe alta que não duram nem um ano. Foi ali que eu me rendi ao pop: a banda residente fazia o público dançar muito, tocando rock e disco com uma precisão incrível. Vi naquele tipo de trabalho uma oportunidade para me profissionalizar nos palcos.
Passei um bom tempo tentando integrar um projeto rentável e que reproduzisse aquela qualidade sonora que me cativou. Mas todas as bandas boas da cidade já tinham guitarrista, e arrumar tecladista em Brasília parecia mais difícil do que escalar o Congresso Nacional com palitos de dente.
A solução? Resolvi aprender a tocar teclado. Fiz aulas, comprei equipamento e logo estava em uma banda, que apesar de boa estava com dificuldades de projeção.
Eis então um convite para voltar às guitarras, em uma banda que logo faria algum rebuliço em bares das cidades-satélite de Brasília.
A ralação era intensa. A gente tocava toda sexta-feira, mais alguns sábados e domingos. Às vezes a gente mesmo montava o equipamento inteiro. Por isso, cada show levava de seis a oito horas de trabalho, num horário em que os nossos amigos e família se divertiam ou descansavam.
Valeu a pena. As adversidades me ensinaram a buscar sempre uma apresentação mais divertida que a outra, e ainda desenvolvi uma grande resistência a shows longos.
Trabalhos
Algumas das bandas com quem toquei nesses anos incluem: Banda 80, Mr. Jingles, BSB Disco Club, Tuka Villa-Lobos, JaÉ, Capital Urbana, DoutorLao, U2 Elevation, Máquina 4, Tocaia, Amálgama, Connection, Sétimo Selo, Last Rites.
Daniel Araujo
Brasília, 2007-2008